O glicogênio é a forma como os carboidratos são armazenados no fígado e nos músculos para serem usados como combustível no exercício. O músculo treinado aumenta sua capacidade de armazenar o glicogênio, e como glicogênio é encontrado junto com água (2,7 gramas de água para cada grama de glicogênio), esse volume extra nos músculos irá causar inchação, fazendo-os parecer maiores. É por isso que os fisiculturistas ingerem muito carboidrato antes de entrar no palco, ao final de uma dieta pré-concurso. Os músculos cheios de glicogênio são grandes, redondos e cheios; os músculos deficientes em glicogênio são pequenos e achatados.
A Importância da Recuperação Muscular no Pós-treino
Importância do carboidrato na reposição muscular após
o exercício
Uma dieta deficiente em carboidratos reduz rapidamente o glicogênio muscular e hepático e, subseqüentemente, reduz o desempenho nos exercícios intensos e de curta duração, assim como nas atividades prolongadas.
A redução do conteúdo das reservas de
glicogênio (muscular/hepática) está associada à
ocorrência de fadiga. Para melhorar a performance, os CHO são
consumidos antes, durante e depois do exercício.A reposição
do glicogênio utilizado após o exercício é um aspecto
fundamental na recuperação da capacidade de endurance. A preocupação
quanto ao tipo, freqüência e quantidade do consumo de CHO merece
atenção, principalmente quando o indivíduo necessita
de reposição rápida do estoque (entre 4 a 6 horas). Quando
a reposição é considerada no contexto de 24 horas após
o exercício, essas preocupações quanto a particularidades
na administração do carboidrato, em geral, não se justificam.
Dada a importância dos carboidratos para a performance de exercícios
aeróbios de longa duração, recomenda-se que indivíduos
que se exercitam regularmente devam consumir uma dieta entre 55%- 70% de seu
total calórico na forma de carboidratos.
Quanto ao tipo de carboidrato a ser consumido, glicose e sacarose são
os que possuem a maior capacidade de repor glicogênio muscular quando
comparados com a frutose, nas 6 primeiras horas após o exercício
em virtude de seu elevado índice glicêmico. Essas refeições
se revelam extremamente eficazes com uma dose de 0,7 g/Kg de peso corporal,
quando feitas a cada duas horas, no transcorrer das seis horas após
o exercício.
O crescimento muscular ocorre em três fases:
1. Estimulação: O stress, causado durante o treinamento pelas
sobrecargas metabólicas e tensionais, provoca microlesões nos
músculos envolvidos que caracterizam a estimulação.
2. Recuperação: envolve tanto a reparação dessas
microlesões como também o restabelecimento energético
num patamar superior ao anterior. Esta fase de recuperação é
fundamental para o desenvolvimento muscular afim de se preparar para estímulos
subseqüentes mais intensos. Se o atleta não estiver completamente
recuperado e houver fornecimento de nova sobrecarga, a musculatura responderá
de maneira negativa desfavorecendo o desenvolvimento muscular. Em se tratando
do treinamento de hipertrofia muscular, acredita-se que a recuperação
ocorra entre 48 e 72 horas, considerando uma alimentação adequada
e outros fatores, tais como o descanso.
3. Crescimento: O processo de crescimento muscular, portanto, ocorre em sua
maior parte não durante o treinamento e sim no período de descanso.A
síndrome do overtraining se manifesta primariamente no sistema nervoso,
depois alcançando o sistema muscular.
Recuperação pós-exercício:
Imediatamente após o exercício: 1 a 2 horas após do treino,
os músculos que estavam ativos se preparam para restabelecer a energia
gasta e maximizar a entrada de nutrientes. Este é o estado em que o
corpo se encontra mais receptivo à absorção e armazenamento
de energia.
Geralmente o corpo experimenta uma diminuição natural de insulina
circulante durante o exercício, esta situação é
superada por uma mudança nas células do músculo exercitado.
Acredita-se que durante o exercício físico uma determinada proteína
presente na membrana da célula é ativada por gatilhos de receptores
de insulina, permitindo que a glicose entre na célula sem depender
da insulina, este fenômeno é conhecido como fase insulino-independente.Esta
fase ocorre até duas horas após a atividade física.
Quando consumimos um alimento, a insulina é lançada no organismo,
mas quando é lançada na fase insulino-independente teremos dois
mecanismo que agem para levar nutrientes para as células do músculo
trabalhado. Ambos os processos fazem com que os nutrientes entrem nas células
mais rapidamente, neste período importante para a recuperação.
Estudos demonstram que uma dieta adequada em carboidratos e proteínas
cria uma resposta insulínica mais eficiente na recuperação
do glicogênio muscular e para o anabolismo.
Síntese de glicogênio muscular
Em média, apenas 5% do glicogênio muscular utilizado durante
o exercício é ressintetizado a cada hora após o exercício.
Da mesma forma, para que a restauração seja total, são
necessárias pelo menos 20h após a prática de exercícios
intensos, desde que sejam consumidos carboidratos em quantidades adequadas.
Durante dias consecutivos de competição, ou de treinamento intenso,
recomenda-se que os atletas consumam carboidratos entre 15 a 30 minutos após
o exercício com porções adicionais a cada 2-3h.
No caso de treinos de endurance, a restauração do glicogênio
muscular é um fator fundamental para o rápido restabelecimento
da capacidade de realizar o exercício. Mesmo sem a ingestão
de carboidratos, a reposição do glicogênio muscular pode
ocorrer a partir da reutilização do lactato produzido durante
o exercício intenso (o processo de recuperação ativa
potencializa essa conversão). Acredita-se, porém, que a contribuição
do lactato é pouco significativa para a recuperação do
glicogênio muscular como um todo.